segunda-feira, 23 de novembro de 2009

O ideal e o seu oposto



Imagens: autoria não identificada/fonte:internet
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E DESTRUIR QUALQUER CERTEZA

A extinção da inocência espiritual – com seus valores elevados e fecundos - é causa da desarmonia humana, da ironia do perverso, da demagogia política, da farsa religiosa, da hipocrisia social.

A vida é do tamanho de sua mente, aonde ela chega você poderá chegar. Os ideais serão alcançados. Bons ou ruins. Os valores abstratos desejados e seguidos darão compensação e equilíbrio aos valores físicos e materiais instintivos do homem fisiológico, tão presentes no seu cotidiano. O instinto deve ser controlado pelo homem espírito, cujas manifestações - inteligência, discernimento, vontade, sentimentos e religiosidade - se dão na mente.

Cada pessoa é responsável pelo equilíbrio social, familiar e do meio ambiente, elo de uma cadeia espiritual construtiva ou destrutiva. A falta de discernimento espiritual, ou seja, a ignorância de si mesmo como ser imaterial e consciente - integrante involuntário da verdade universal, não pessoal- pode estagnar o espírito e destruir qualquer certeza de verdade nesse mundo.


Alberto Magalhães

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AS LÁGRIMAS DA DISCÓRDIA

O homem é agressivo porque não chora? É dito que as lágrimas lavam a alma angustiada, levando - mesmo que temporariamente, a tristeza para fora. E de vez a vez ela acaba indo embora. Quando eu era menino e as lágrimas me escapavam, eu ouvia: você não é homem não? Não, eu não era ainda, estava aprendendo a ser. Coisa que ainda não se findou. Quando eu morrer terei findado a missão. Porque homem também tem que aprender a morrer. O vulnerável heroi do seu lar e de si mesmo.

O choro faz bem. Eu ouvi que as lágrimas acumuladas na alma endurecem o coração. Até já fui castigado quando chorei na infância. Juventude insensível, esta de agora. Não era isso que os pais queriam? Um rapaz que não chora, de coração duro? Preparado para as desilusões e os embates da vida?

As lágrimas nos dizem que somos humanos e que se elas existem têm alguma finalidade, como o suor que elimina as impurezas do corpo. Elas são a voz das profundas emoções. Agora tenho que reaprender a chorar, porque a vontade existe, porém faltam os mecanismos psicológicos para liberar esse elemento refrigerador. Até Boto, o cachorro da minha infância, chorava.

Alberto Magalhães

Imagens: autoria desconhecida/fonte: internet

sábado, 21 de novembro de 2009

Uma tribuna para o povo

(Homenagem ao Cinform, representando toda a imprensa)


A quem a democracia inspirou? Quem sentiu um arrebatamento no peito por um ideal nobre? Ou quem amou a justiça em momentos de ímpetos sublimes, qual paixão juvenil (mas que ficou?). Olho e vejo um Dom Quixote com ares de modernidade a lutar contra vilões reais, enquanto outras pessoas meneiam a cabeça ou olham com desdém: “louco, tolo...” Pensam.

Triste ironia ou sorte cruel, esses mesmos que o criticam um dia – pelo menos um dia, tiveram a honra de sonhar os mesmos sonhos no mais genuíno, autêntico sentimento de patriotismo, civilidade, humanidade que torna o homem digno, em busca do essencial. Hoje se omitem fascinados pelas luzes fáceis, artificiais que não iluminam de verdade, mas deixam uma penumbra envolta em uma aura de falsa decência.

Ele (Dom Quixote) vive de palavras – e palavras são vida. Elas expressam todos os sentimentos, emoções, experiências e, fortuitamente, revelam segredos do coração. E mais que isso: quando usadas com coragem, impulsionadas pela indignação ou simplesmente pelo dever, produzem efeitos, invocam ações, mobilizam pessoas e instituições gerando justiça, quando possível, ou manifestando a injustiça encoberta.

Espinhosa missão. Deturpada por uns, subestimada por outros, porém cale-se e dentro de uma sociedade que será ilimitadamente oprimida, as pedras clamarão.

Só quem não tem a consciência cauterizada pode medir – nos seus integrantes, o grau de desprendimento do pessoal, do conveniente em favor do coletivo. Eu aprendi uma grande lição ao lhe observar melhor. Para mim tu és um dos reflexos da esperança social, instrutor de causas nobres (que vivenciamos – e não que teorizamos – no dia a dia), convertedor de pensamentos que, por consequência de fatores contrários, estavam desgarrados do legítimo Estado de direito, alma sublime da democracia. Outra palavra não fictícia, mas viva, real.

Tu geras algo que é contrário das palavras individualismo, inconsciência, material. Mas eu prefiro não dizer na esperança de que cada um, de si, o decifre.

Alberto Magalhães


(Publicado no Jornal Cinform em 27 de fevereiro de 1995)

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

A morte nasce da vida

Para que serve a morte? Muitos do meu tempo já se foram antes de mim, muitos irão depois. A maioria de voluntária vivência insignificante, embora toda vida seja um milagre da natureza.

Viver a vida dos outros é medíocre, viver sob a vontade dos outros é indigno, viver se escravizando à vida é delírio, viver pra juntar ouro é patético, viver ignorando a fugacidade da vida é loucura.

A vida é água que escapa da mão por entre os dedos, raio de sol que reluz um pouco na janela, é a nuvem branca que se dissipa ao vento da primavera, é um sopro que sai de uma mulher e não volta mais, e sai bafejando sopros enquanto se esvai. A vida é só algo que pode ser abraçado em cada pessoa que amamos.

A vida humana tem início, como não teria fim? É só o começo, manifestações e esgotamento de um fenômeno individualmente insignificante para o universo.

A vida só é vida porque existe a morte, senão seria castigo. Os homens não suportariam a si mesmos por uma eternidade. A vida é bela porque a morte é feia, é ela a extinção do sopro vital. Como corrente da alma suprime a vontade, os movimentos, a alegria e a raiva, o riso e a mágoa...

Isso é o que penso da vida.


Alberto Magalhães

Imagem: autoria não identificada/fonte: internet

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

O eremita

No verão o dia começa um pouco mais cedo e a noite um pouco mais tarde. Por essa hora, quando o dia misturava-se com a noite, na minha passagem para casa vindo do meu primeiro emprego na adolescência eu via o meu velho amigo eremita, com quem eu conversava um pouco lhe ouvindo falar coisas sobre esse mundo mágico e por vezes intrigante ou assustador. Os seus cabelos já totalmente brancos, sua expressão serena e seu olhar perdido em algum lugar existente na sua memória o faziam respeitável. Ele trabalhava e morava numa pequena sala de um prédio antigo, sede de uma Instituição cultural no centro da cidade de Aracaju. Era um misto de zelador de dia e vigia de noite. Pacato e solitário, às vezes, fazia-me lembrar o fantasma da ópera, coisa que o fez sorrir – coisa rara, quando eu lhe falei.

Ele nunca falava de si mesmo, mas sempre sobre tudo que nos cerca por todo o planeta. Talvez por isso eu não tenha lembrança do seu nome. Ele mais parecia um ET, disfarçado de humano, vindo observar a terra. Comia muito poucas coisas, pouco andava pela cidade, mas sabia sobre tudo. Diariamente lia jornais e ouvia o seu velho rádio, colado com fita adesiva. A sua alimentação se reduzia a banana, amendoim, pão e café em pó - nunca o solúvel granulado, e água.

Enquanto conversava ele me servia do seu delicioso café. Ele era impregnado de cultura, um autodidata sequioso pela história universal. Lá no fundo ele parecia decepcionado com o mundo, desgostoso com os rumos tomado pelos povos, insatisfeito com o esvaziamento dos valores tradicionais da família e que, a seu ver, empobrecia a sociedade cada vez mais materialista...

Alberto Magalhães

Imagem: autoria não identificada/fonte: internet

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Mensagem para Teófilo

(sobre um júri popular e um veemente Promotor)


Teófilo, da última vez em que nos vimos tu, pausadamente, disseste-me citando Sêneca: “Somos todos perversos, o que um reprova no outro ele o achará em seu próprio peito.” E discorrestes sobre a fragilidade do homem no seu aspecto moral. No seu discurso havia o sentimento de pesar pela comovente condição humana. Em sua pungente oração, referindo-se aos que se julgam superiores no afã de infringir desmedida penitência a quem lhe está a mercê, disseste-me: “A árvore quando está sendo cortada observa, com tristeza, que o cabo do machado é de madeira.”

Alguns dias depois da tua visita no meu cárcere. Tive a oportunidade de visualizar uma arena jurídica onde tese e antítese digladiavam-se. E era necessário. Uma parte evocava uma vida que se perdera e a outra parte uma vida que se perdia, momento em que absorveu a outra. É desse embate jurídico – quando leal – que se compõe a síntese, que nutre o Estado de direito, alma sublime da democracia.

Lá, fascinei-me com a performance de um homem de leis do qual o seu mestre, amigo Teófilo, pode ter sido um simples aluno. O seu arrebatamento monopolizava os sentidos, em seu ardor parecia personificar as ciências. Mas, como ninguém é perfeito, só incorreu no pecado - por um momento – da linguagem densa como as águas do rio Estige da mitologia grega. Talvez tenha se deixado levar pelo orgulho, “seduzido por uma razão”. Lembro-me de Charbonneau, que lemos juntos: “A razão humana é oscilante, é bela e ao mesmo tempo perniciosa, porque tem o privilégio de enganar, de mentir, de iludir, de fazer o homem se perder no Dédalo de uma consciência falsa. Ela balança entre a revelação e o disfarce”.

No entanto depois vi no orador uma sanha niilista direcionada à personalidade da pessoa alvo, cético quanto a sequer um vislumbre de qualidade moral nela – uma impropriedade, a meu ver. Era quase um ser divino querendo oferecer-lhe uma catarse. Confesso-te, amigo: temi um pouco por ela. Pensei: “Vai subjugá-la com tamanha obstinação.”

Mas, felizmente, convenceu a quem queria não a quem realmente importava: a pessoa alvo. Se tivesse conseguido confundi-la, ai sim, teria conseguido imprimir a sua marca estigmatizadora de forma permanente. Não de modo formal, na efemeridade das palavras ou nos anos perecíveis da sentença, mas na perenidade da alma. Para o infeliz que estava na berlinda ele teria sido um verdugo espiritual, quem sabe até desses que, no fórum da sua consciência, já tenha condenado a si próprio.

Teófilo, eu li que as muitas letras, às vezes, nos fazem delirar e eu como sou apenas um leigo cansei-me um pouco de tudo isso, até mesmo – perdoe-me, de ti. Por isso vou preferir o confinamento de simples oblato e, nessa busca de uma razão para os meus insignificantes dias, recitar o poeta Agostinho: “Senhor, Tu nos fizestes para Ti, e nosso coração está inquieto enquanto não encontrar, em Ti, descanso.”

Alberto Magalhães

Tribunal do Júri, em Aracaju-SE/escrito em 1995 e publicado no Jornal Cinform em setembro de 1996/
Teófilo: um amigo imaginário/tese e antítese: acusação e defesa/Estige: o rio do inferno, na mitologia grega/ Sanha niilista: defesa da teoria da negação, de forma ferrenha/verdugo: carrasco/Paul Eugène Charbonneau: teólogo e escritor canadense/catarse: purgação, purificação/oblato: leigo que oferecia seus serviços a uma ordem religiosa/o homem de leis: Promotor de Justiça. (anotações feitas a pedido de leitor)

Imagem: autoria não identificada/fonte: internet

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

O que você faz pelo país e por você mesmo?


Soberania é o poder político que dá autonomia e independência a uma nação e constitui o Estado. Na democracia o povo é titular do poder político estatal, e elege os mandatários a cada quatro anos como procuradores para representá-lo em seus interesses. Fica aqui uma pergunta: os candidatos nos quais você votou estão realmente defendendo os seus interesses, como eles prometeram em campanha? Ou você nem se interessou em saber quais eram as propostas dos seus candidatos escolhidos para legislar por você ou governar o que é seu? Você se lembra quem foram eles? Você votou apenas em troca de um simples favor? Você observa quais são os políticos que defendem apenas os interesses dos empresários, dos poderosos e deles mesmos? Você reconhece a atuação daquele representante popular que sem demagogia defende os seus interesses (dos eleitores) enquanto profissional ou cidadão, na Câmara municipal, na Assembléia, na Câmara Federal e no Senado da República? Que não figura nas manchetes dos escândalos financeiros que ajudam a empobrecer o povo? Pense nisso. Faça a sua parte. Pegue uma folha de papel passe uma linha no meio, do alto à baixo, e escreva num lado: desonestos. No outro: em observação. Vá escrevendo o nome dos parlamentares e governantes do seu Estado. Quando você se enganar à respeito de algum nome vale riscá-lo de um lado e passá-lo para o outro. Pegue essa folha (a folha corrida do seu arquivo) e coloque na gaveta mais importante da sua casa, afinal é a sua vida e a de seus familiares que estão em jogo. O mais importante: não se esqueça de consultá-la nas eleições. Seja exigente, dignidade se constrói também com o voto.

Alberto Magalhães
Imagem: autoria não identificada/fonte: internet

Frases de uma noite insone



1. - O dia não seria tão belo se não fosse a noite escura.
2. - Se não houvesse a morte a existência não seria tão preciosa.
3. - Cada filho é uma dádiva e uma missão; é um presente com algum preço a saldar.
4. - O dinheiro causa discórdia entre as melhores famílias e desfaz grandes amizades.
5. – As mulheres nem sempre são tão frágeis como aparentam, nem os homens tão rudes quanto demonstram.
6. - A mentira é a arma dos covardes.
7. - A verdade triunfa, mas demanda tempo e sofrimento.
8. - Aos parentes, amigos e amantes cabe o dever de enxergar as virtudes mútuas.
9. - Quem não tem, quer tudo. Quem tem tudo, quer mais.
10. - Deus é para todos, mas uns poucos o guardam em si.
11. - O lar é o refúgio restrito da família. Não se deve desvirtuá-lo.
12. - Não existe fidelidade para aquele que não confia.
13. - A traição ofende ao traído e elimina a confiança que este devotava ao outro.
14. - A falsidade é o recurso dos fracos.
15. - Não existe lealdade no invejoso, no avarento, no egoísta.
16. - Não se ama o que não se admira.
17. - O verdadeiro amigo é aquele que aparece nas horas difíceis.
18. - A vaidade é a mãe dos defeitos.
19. – A ambição é uma trilha para os erros.
20. – Não amar gera solidão no ser. Amar demais, amargura na alma.
21. – Não devemos viver para os outros, nem viver só para nós.
22. – A leitura é a forma mais simples de se tornar uma pessoa observadora, interessante e culta.
23. – Resista, desprestigie os seus defeitos, valorize e divulgue as suas virtudes e as siga sempre.
24. – O sexo deve ser apenas mais uma das satisfações, não deve anular nenhuma das outras.
25. – A necessidade, muitas vezes, faz o homem agir de modo que não gostaria.
26. – Quem sempre teve muito dinheiro não sabe o que significa a necessidade dos outros.
27. – A liberdade incondicional e inconsequente traz um mal grave.
28. – A pessoa que enxerga os outros humanamente tem uma beleza que transcende a da aparência física.
29. – Um amigo pode ser como um irmão, um irmão egoísta torna-se desafeto.
30. - Humildade não é sinônimo de fraqueza, é beleza de alma, é simplicidade de coração. É se esvaziar de si mesmo e interagir com a humanidade do outro.

Alberto Magalhães
Imagem: tela exposta no Louvre, Paris. Autoria não identificada/Fonte: internet

A desagregação social no Brasil

A ignorância do povo é o suporte do sistema na sua estratégia secular de conduzir as massas populares como se fosse impotente em resolver efetivamente os conflitos resultantes das relações sociais. A iniquidade governamental, é notório, não atinge o cume da pirâmide social. Antes lhe é aliada contra os interesses daqueles que estão fora do círculo vicioso do poder temporal, notadamente nos países pobres ou emergentes.

O grupo que detém o poder econômico, em sua promiscuidade com o poder político, sempre resistiu às mudanças sociais impondo exclusões. Pobreza e degradação humana são os resultados mais perversos de uma nação injusta. Todos os deveres da lei (inclusive fiscal) são para os pobres, embora os direitos nem sempre. A teoria do sistema, aplicada até nas “democracias”, diz que os cidadãos privilegiados devem ficar imunes às consequências da degradação da sociedade, por isso os setores de repressão devem funcionar exemplarmente. Mas a hipocrisia permite que se diga que a preocupação real é com o povo.

O descaso quanto à efetiva consolidação do estado de direito é tão arraigada na nossa cultura que se sacrifica a dignidade e o bem estar dos trabalhadores comuns – matéria prima do desenvolvimento da nação - pelo lucro especulativo das elites. A questão abrange a qualidade de vida nas cidades, a degradação ambiental – com a invasão de mangues para moradia, o surgimento de favelas, o desemprego, a mendicância, as hordas de doentes, o aumento da criminalidade. Tudo isso gera um retorno desagradável e perigoso para todos. Causa uma instabilidade social, a vulnerabilidade – em todos os sentidos - do cidadão, a impotência do Ser diante da sua realidade. Este Ser, base e objetivo do pacto social no sentido mais nobre de sociedade: igualitária, justa e fraterna.

As gritantes desigualdades sociais desgastam a democracia, relegando a própria condição humana e redundam numa traição histórica. Aliado à corrupção alimentam a miséria, que gera a degradação social. Enquanto se der prioridade aos acontecimentos secundários e não às causas, há de se promover as mazelas a todo o corpo social, quando se pensa que o faz apenas aos seus membros menos ilustrados. A elite não pode viver sem contato com a plebe da qual, inclusive, de certa forma tende a tornar-se refém, caso semelhante ao do feitiço que se vira contra o feiticeiro.

Os jornalistas, os professores, os políticos idealistas, os escritores são importantes instrumentos para que possamos repensar todas essas questões a partir dos diversos prismas no interesse de nos conscientizarmos sobre a nossa realidade e perspectiva. Como disse o escritor Ernesto Sábato, “Pode haver um confronto de ideologias, mas não uma crise de idéias... assim como nada justifica a tortura, nem que as crianças morram de fome”.

Alberto Magalhães
Imagem: tela de Tarsila do Amaral/Fonte: internet

As escalas de poder


Ou a reprodução do autoritarismo

Desde o início da civilização humana os que estão fora do poder político ou econômico sempre se opõem aos que compõem o sistema de mando e de subjugação do próximo, pelos abusos cometidos.

A história já registrou muitas guerras, bem como levantes, revoluções, combates físicos grupais ou pessoais motivados pela insatisfação de se submeter ao comando – ou às diretrizes, de outrem.

No entanto já paramos para observar quantos redutos de poder existem ao nosso redor, divididos em escalas diversas? Nos lares, nas escolas, nas empresas, nas instituições, nas repartições públicas, nos relacionamentos interpessoais? Antes de entrarmos nessa seara, voltemos ao exemplo elementar do sistema celeste: os astros da via láctea gravitam em torno do sol, governados pelo astro rei. No átomo existe o núcleo que reúne as cargas elétricas que o compõe. Todo sistema tem o seu centro de convergência, sem o qual o desequilíbrio levaria a um colapso e à sua autodestruição.

Nas sociedades animal e humana há os sistemas de hierarquia, os núcleos de comando. Na sociedade animal as divergências são resolvidas no campo do embate físico, na luta por território e pelas fêmeas do grupo. Na sociedade humana há sempre os conflitos de interesses. Os embates são nos campos jurídico, político, profissional e por vezes no bélico.

No nosso país estamos sempre assistindo a episódios de abuso no exercício do poder, de injustiças contra os cidadãos brasileiros praticados por quem deve efetivamente estabelecer os princípios do verdadeiro Estado democrático de direito. O centro da questão é que as pessoas quase sempre se aproveitam da oportunidade do exercício do poder para oprimir, perseguir, manipular ou explorar as outras pessoas por interesse pessoal, corporativo ou do próprio sistema que o opressor integra.

O que é desconcertante é perceber que as pessoas reproduzem o comportamento histórico dos que governam com autoritarismo, em todas as escalas de poder: na direção da entidade associativa, na Instituição pública, nas corporações policiais e militares, nas repartições públicas, nas empresas, no lar... E ainda não aceitam a discordância de quem não quer ser manipulado, injustiçado. O que é pior ainda é que os opressores nas suas tendências maquiavélicas e intolerantes contam com alguns dos próprios parceiros dos oprimidos nas suas medidas de retaliações contra os que não se alinham às suas ações impróprias e arbitrárias.

A democracia é o mais alto estágio das civilizações, é um regime que foi pensado e implantado na maioria dos países porque beneficia a todos, sem exceção. Ele já está aprimorado, consolidado e não mais se aceita retrocessos para beneficiar aos que estão no topo de algum dos seus seguimentos, seja no governamental, político, institucional, religioso, etc.

Alberto Magalhães
Imagem: autoria não identificada/Fonte: internet

O império da vaidade


Nos dias atuais não basta ter um carro, ele tem que ser top de linha; não basta ter um celular, ele tem que ser dos melhores; não basta ter um computador, ele tem que ser de última geração; Não basta ter boas roupas, elas têm que ser de griffes famosas. Tudo tem que ter marca de prestígio no mercado. O que as pessoas estão fazendo consigo mesmas? Para onde estão indo? Provavelmente para o caminho do consumismo compulsivo que leva ao endividamento em busca, muitas das vezes, de futilidades.

Seguindo a tendência de se destacar dos outros, as pessoas trazem tatuagens no corpo com variadas formas e idéias no intuito de enfeitar o corpo transmitindo uma mensagem seja de amor por alguém, por pura irreverência ou uma mensagem política, mesmo que sutil. Nesse sentido o objetivo da aparecer está em evidência.

O consumismo da moda faz com que a pessoa traga marcas sobre o corpo (em roupas, bolsas, relógios, sapatos, celulares) que semelhante aos tatuados geralmente o identificam a um determinado grupo, que muitas das vezes nem é o seu verdadeiramente. Ainda tem os automóveis caros, as festa dadas. O objetivo nisso tudo é o de aparentar algo que lhe traz satisfação. O que não é ruim. O que não é bom é se isso custar um preço maior do que a pessoa possa desembolsar e a leve a ter problemas que lhe deixe encrencada e infeliz. As encrencas podem ser cobradores à porta, inimizades, má fama, ações nos juizados de pequenas causas, nome inserido no SPC, Serasa...

As diferenças da marca no corpo e sobre o corpo é que a primeira só se investe dinheiro com ela uma única vez, a segunda interminavelmente. A primeira é permanente, mesmo que não se queira mais (a não ser utilizando a cirurgia a laser para a remoção), a segunda tem a vantagem da transformação e da versatilidade. Diz a sabedoria popular que em demasia nada é bom.

Alberto Magalhães
Imagem: autoria não identificada/Fonte: internet