domingo, 11 de novembro de 2012

Desencontro


Um grande erro é pensar que a mulher tem mais gosto pelo diálogo que o homem, no relacionamento conjugal. O que se nota é que a mulher tem interesse em que o homem escute sempre tudo o que ela tem para falar, e que a iniciativa e a condução da conversa sempre fiquem ao seu encargo. No entanto quando chega o dia do homem criticar, ela sempre fica na defensiva, numa posição de vítima na abordagem. A mulher geralmente se acha atacada e se ofende por comentários comuns feitos pelo companheiro, geralmente considerando-se desvalorizada na relação. Por isso as conversas entre os casais são sempre mais desgastantes psicologicamente para o homem, o que o faz se esquivar dessas conversas na maior parte das vezes. Já para a mulher o comprometimento nessas discussões é mais emocional, o que faz o homem geralmente se sentir frustrado e às vezes até com sentimento de culpa. A mulher geralmente guarda ressentimentos em desfavor do companheiro por tê-la feito “sofrer” desnecessariamente. E depois de tantos mal entendidos, intolerância, ressentimentos equivocados, falta de perdão o relacionamento acaba sem mais sentido. Quem, com honestidade, aponta os erros no relacionamento se importa com a questão, quer a solução da demanda, quer melhorar a convivência. Nem sempre alega com o intuito de acusar, desvalorizar, agredir.

Uma das falhas do ser humano é rotular o outro por uma característica marcante em sua personalidade e passar a deduzir que tudo o que ele fala ou faz é decorrente dessa única característica. Isso é um erro, porque as outras características desse indivíduo em tela, somadas e em prevalência em certo momento definem muitos de seus gestos e condutas. Ninguém é só controlador, ou arrogante, ou insensível, ou interesseiro todo o tempo. Existem coisas que a pessoa é capaz de fazer que não tenha origem só no seu “lado personalístico preponderante”. Essa visão fixa de uma característica forte numa pessoa faz com que se veja as suas iniciativas tão somente por esse ângulo, se construindo impressões sempre negativas, já que a visão que as pessoas adotam como uma característica que define uma pessoa é sempre aquela que incomoda ao observador e nem sempre é a característica principal da pessoa observada.

Uma das coisas que serve de ingrediente para a falta de entendimento nas questões aqui abordadas é que em verdade o ser humano (ente conjugal) não tem condições de suprir todas as carências ou de administrar decisivamente as deficiências do outro. Acontece, por vezes, que no momento em que um vai desprender carinho e atenção para o outro, este não está disponível por alguma razão. Não tem tempo, disposição física, emocional e/ou psicológica naquele momento. Embora esteja longe de abrir mão disso no restante das oportunidades. Mas a pessoa que ofertou aquela benesse sente-se injustiçada, quando não desvalorizada ou não amada. Isso cria insatisfação em uma das partes que certamente vai atingir a outra e criar uma instabilidade emocional e psicológica em ambos. Ocorre que na hora em que a parte inocente na questão (suscitada no interior da pessoa contrariada) estiver a esperar a resposta afetiva do outro, ela não vai chegar ou vai chegar distorcida, incompleta, vazia de verdade, insuficiente. Dolorosamente frustrante.

Então estará instalada uma verdadeira crise entre ambos, permeada por dúvidas, sentimentos de desamor, desconfianças. A autoestima será em parte esvaziada, dando lugar para se ocupar esse espaço com o orgulho, disfarçado de amor próprio.

Alberto Magalhães

domingo, 3 de junho de 2012

A mulher seletiva

A mulher, sem saber, apaixona-se por um homem só para depois conhecer a sua mais prodigiosa vocação e paixão: ser mãe. Gerando assim um prazer inato, completo, permanente que não depende do outro para existir. Só dela mesma. A mulher tem na maternidade seu ponto humano culminante, a excelência de suas funções que são tantas e especiais. Na colonização do Brasil a mulher não procriou com os índios e com os negros considerados, na época, como sub-raça, inferiores aos brancos. A mulher agia assim numa atitude de seleção fisiológica, cultural, social, etc. Também, pragmaticamente, as mães procuram as condições de segurança econômico social para o seu filho. No entanto os homens se relacionaram sexualmente com as índias e com as negras e geraram muitos filhos, num processo antropológico de se auto afirmar e de se perpetuar.

É interessante descobrir que mesmo a mulher que pratica a infidelidade contra aquele homem escolhido para gerar a sua prole repudia conceber do outro, e isso não se dá só por questões familiares e culturais. No caso da geração de filho com outro homem, quando não acontece casualmente, há nessa relação a intenção de substituição do parceiro anterior por outro considerado superior nos aspectos insertos nos valores dessa mulher ou de igual capacidade, encerrando-se uma convivência já minada por elementos contrários e começando uma nova.

A mulher, inconscientemente, procura no corpo do homem a oportunidade de reprodução e prazer, nessa ordem. O instinto de reprodução é muito mais forte na mulher em virtude de ser ela quem procria: gera e concebe. Ela antropologicamente vislumbra no parceiro escolhido o potencial de qualidades - inerentes aos seus peculiares instintos maternos -, para o seu rebento.

Os homens, ao contrário da mulher, não têm na reprodução da espécie o instinto/intuição da qualidade da prole, na sua fisiologia ou na sua aparência. O homem, historicamente, se interessa mais pela quantidade da prole e na autossatisfação sexual imbuída no ato de reprodução.

A maternidade, o instinto reprodutor é uma força natural descomunal num ser fisicamente frágil, concebendo ininterruptamente para fazer toda a humanidade existir. A mulher protege o corpo do seu filho à custa da sua própria vida. Porque agora – depois de conceber -, a sua vida já não lhe pertence. Na prática torna-se o inverso: a quem ela deu a vida, entrega a sua.

Àquelas a quem não foi dado o privilégio de fecundar e gerar vida, Deus consola no mistério dos seus desígnios.

Autor: Alberto Magalhães

quarta-feira, 14 de março de 2012

Acredite na vida

Acredite na vida
Acredite na fé que renova todas as coisas
Acredite que você será sempre capaz
Capaz de realizar os seus bons desejos e os seus melhores planos
Acredite que o amor existe e cura as pessoas da solidão
O mundo também é feito de crianças e flores, de inocência e perfume
Pense que o sol e a chuva, o ar e as estrelas são para você
Respire o ar para viver e contemple as estrelas para sonhar
Sinta a luz calorosa do sol, o frescor da água e o brilho radiante dos astros nos revelando que há um caminho a seguir
A lua será o bibelô para enfeitar as suas noites
E a brisa passará para acalentar o seu sono
Alguém lhe deu um mundo de cores, de vida, de transformações e de oportunidades
Existe alguém precisando do seu abraço, mesmo que você nunca tenha recebido um
Acredite que o que você espera e ainda não recebeu está guardado para você
Para completar o presente mais saboroso e valioso que você já ganhou: a vida.
Então a alegria virá permanentemente para preencher cada seu novo dia.

Alberto Magalhães

domingo, 29 de janeiro de 2012

Conte-me sobre você


(para quem estiver pensando em fazer a tolice de se separar de alguém importante)

Conte-me coisas boas a seu respeito. Que você está bem, quase feliz. Conte-me que está se ocupando com algo de que gosta de fazer. Que passeia e se diverte. Que tem amigos leais. Que alguém lhe ama especialmente. Que se lembra dos bons momentos que tivemos, e dos engraçados, e sorri.

Conte-me coisas boas que têm lhe acontecido, as ruins deixe no mar do esquecimento. Não posso mais lhe confortar. Quero lhe imaginar sempre de semblante tranquilo e sorriso no rosto. Com cabelos ao sabor do vento e um batom suave nos lábios. E quase sempre com aqueles olhares de menina sapeca, que disfarçam seus trinta anos de vida.

Conte-me que no natal passado mandou-me um cartão de boas festas e que não chegou por culpa do carteiro. Que numa das suas orações se lembrou de mim para me abençoar. Que várias pessoas das suas novas amizades, embora nunca tenham me visto, conhecem-me de lhe ouvir falar. Mais as minhas virtudes que minhas falhas. Que pensou por várias vezes em voltar, mas sabe que o seu espaço já está ocupado, mesmo que não no coração, que sempre terá você num cantinho sagrado, a dizer quanto foi – e é e será -, importante.

Conte-me que um dia desses sonhou que se encontrava comigo, cada um com uma dezena de filhos ao redor e que brincavam juntos, como se fossem todos irmãos, os filhos que juntos não tivemos pela desistência mútua de se entender.

Conte-me que há muito já me perdoou e que se pudesse voltar no tempo nunca teria partido. Que eu lhe direi que você nunca partiu de verdade, que está bem viva aqui em algum lugar dentro de mim a esperar a porta se abrir completamente para então tomar conta de tudo.

Alberto Magalhães