quarta-feira, 21 de outubro de 2015

A dor nasce do desejo


Tudo o que os nossos olhos veem de interessante o nosso coração deseja. Deus nos dá tudo o que precisamos para viver, tudo o que podemos ter. Mas queremos nos dar mais. Muitas das vezes, de forma incondicional, inconsequente, inescrupulosa.  “A dor nasce do desejo” disse Siddartha Gautama. Mas não de qualquer desejo. Há desejos que só nos exigem deveres, dedicação, cansaço, renúncias, algum sacrifício. Mas há aqueles que nos trazem dissabores, amarguras, frustações, infelicidade. Estes são aqueles que não eram para serem desejados. E se inevitavelmente desejados, nunca alimentados. Se alimentados, nunca realizados. Porque, ao se realizar, o seu curto sabor de mel ensejará um longo, ou permanente, sabor de fel.

O soldado pintor Adolf Hitler desejou governar a Alemanha e fazer daquele povo uma nação superior em todo o mundo. Para tanto pregou apaixonadamente a qualidade da raça ariana dos alemães, avocando para estes a supremacia racial e o direito à liderança mundial. Nos moldes dos antigos impérios, a exemplo do romano, babilônico, medo, persa, etc. Hitler, em verdade, desejava antes realizar o seu desejo oculto de se tornar superior às demais pessoas a fim de superar a sensação de mediocridade em que estava inserida a sua vida comum e frustrante. Mas o seu desejo causou muito mal. Os resultados dessa aventura mirabolante todos sabem. A consequência dela atingiu centenas de milhões de pessoas mundo a fora.

Foram vários países atacados; dezenas de cidades bombardeadas; milhares de residências, casas comerciais e órgãos públicos destruídos; mais de vinte milhões de pessoas mortas, entre elas seis milhões de judeus foram sacrificados mediante tortura. Famílias foram dizimadas deixando tantos órfãos. Até navios brasileiros que cruzavam a nossa costa foram afundados. Tesouros artísticos foram saqueados. Cidades da Alemanha, Polônia, Itália, etc. ficaram em ruínas, muitos sobreviveram na miséria. O mundo chorou e sofreu essa tragédia. Tudo isso por um povo haver seguido o desejo de um visionário louco. As nações aprenderam muito com esse acontecimento tornando improvável que outra guerra mundial ocorra.



Porém muitas outras tragédias têm ocorrido por causa do desejo. Seja ele de natureza pessoal, financeira, religiosa ou política: no Iraque, por causa de Saddam Hussein. Na Líbia, por causa de Muamar Kadafi. Na Síria por causa de Bashar al-Assad. Os atentados causados pelos ideais religiosos ou libertários dos grupos extremistas que operam pelo terror. No Brasil por causa da corrupção, da delinquência, do desmatamento... Há desejos não revelados de se enriquecer desonestamente, de se praticar infidelidade conjugal, traindo a confiança do outro, de destruir a boa reputação alheia, de exterminar o desafeto... O desejo oculto sempre é egoísta, desagregador, indigno. Faz mal primeiramente a quem o concebe. Depois, aos próximos.

Alberto Magalhães