quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

O corpo e as sombras

Uma sombra estava bem próxima, ao meu redor. Discreta, sutil, quase imperceptível. Ela não me apaziguava, nem me transtornava. A não ser em momentos de convulsão emocional. Nesse momento me sublevava. Ela não me guiava, mas sempre me acompanhava por mais que eu não quisesse e a desprezasse. 


Na paz, na espiritualidade ela sumia. Na vida mundana ela sempre se fazia presente. Ela não procurava me aniquilar, mas me subverter, manipular e dominar o que afinal é a mesma coisa. Eu a ingeria alma a dentro na cerveja gelada, na fumaça morna, no sexo profano, na futilidade mental, na mágoa adormecida, na maldade perpetrada.

As sombras se conhecem  e se comunicam, mas não conhecem os humildes de espírito. Não os incomoda. Antes, são por eles anuladas. Essas sombras estão por ai a gozar privilégios e espaços cada vez maiores no mundo materialista, individualista, egoista, egocêntrico.

Sombras que minam o amor verdadeiro, construtor, redentor, pacifista. As sombras riem dos homens, das suas vulnerabilidades, das suas aspirações, das suas tragédias, das suas dores e da sua infelicidade. E nos enchemos de sombras atraentes, ofuscando o sol primitivo dos nossos corações.

Alberto Magalhães

Nenhum comentário:

Postar um comentário